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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O NOVO SEMPRE VEM


Por Fabrício Silva



...quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo...a perigo na esquina...o sinal está fechado para nós que somos jovens...Já faz tempo eu vi você na rua...cabelo ao vento, gente jovem reunida...Essa lembrança é o quadro que dói mais...Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos...Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais...

...Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não...você diz que depois deles não apareceu mais ninguém...mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem...Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude, está em casa contando vil metal...Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo...o que fizemos...Nós ainda somos os mesmos e vivemos...Nós ainda somos os mesmos e vivemos como os nosso pais...

Independente de qualquer tentativa de mobilização, seja ela contra corrupção ou não...(perdoem a rima)...é preciso acreditar que temos nas mãos uma nova juventude. Nas diretas Já, havia uma nova juventude...que são os pais de hoje...Então, tomemos cuidado com o que estamos plantando no interior da juventude atual pois, eles também irão ser pais.


07 DE SETEMBRO DE 2011 – BRASIL – Aproveitem bem o feriado.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Matéria sobre a energia no Brasil


PAULO ALEXANDRE COSTA
Olá a todos.

Hoje estou passando aqui pra recomendar uma matéria que saiu no jornal da cidade (Bauru) de domingo (21/08/2011). Da minha passagem pela "Sem Limites", li uma entrevista com o presidente da FIESP, Paulo Skaf. Só pra adiantar, a matéria fala sobre os contratos de concessão para as empresas "operarem" a produção e distribuição de energia elétrica do Brasil. Por lei, como as hidrelétricas são da União, assim que acabam os contratos, obrigatoriamente deve-se realizar novos leilões, o que, na prática não acontece. Está havendo uma "renovação automática" dos contratos, impedindo que novas empresas entrem na disputa pela concessão. Só pra entender, vence o leilão quem der a oferta mais baixa, ou seja, com a realização deste, provavelmente a energia reduziria para o consumidor em, aproximadamente, 15%. Outro ponto importante é a respeito da amortização dos custos de investimento que o brasileiro paga pela construçãoo das usinas. O detalhe é que essas usinas foram feitas na década de 1960, ou seja, os custos da construção das usinas já foram pagas. Interessante, né? Como sempre a safadeza e a falta de lisura tomam conta do país. 
Ah! Outra coisa importante, mas que não deve surpreender a ninguém. O Brasil é um dos países que produzem a maior quantidade de energia (devido ao seu potencial hídrico e seus rios predominantemente de planalto) e paga o terceiro maior valor no mundo.
Deixando de lado os interesses pessoais do Skaf e de seu grupo (a CESP faz parte do grupo e pode ser beneficiada com os leilões), acredito que a matéria seja interessante e mostra, mais uma vez, que o brasileiro é descaradamente enganado. 

sábado, 30 de julho de 2011

III Simpósio de História e Geografia

EM BAURU...


O III Simpósio de História e Geografia foi programado pelos Cursos de História e Geografia da Universidade Sagrado Coração, e ocorrerá de 16 à 20 de Agosto de 2011. Professores, estudantes e comunidade em geral estão convidados. A programação está disponível no hotsite do evento: http://migre.me/5lpPk, onde também podem ser feitas as incrições até 16 de Agosto (incrições com apresentação de trabalho, só até o dia 05/08). Participem!


Informações retiradas da página do Evento no Facebook



quarta-feira, 29 de junho de 2011

AS VERDADES SOBRE O KIT GAY

Por Fabrício Silva.

Vi o vídeo a pouco via Facebook. Poderíamos escrever sobre o assunto. E sei que nem todos os que fazem parte do União do Saber são dessa mesma opinião. Mas eu concordo com o vídeo e achei por bem divulga-lo aqui.

Assista:

terça-feira, 28 de junho de 2011

ELEIÇÕES

Por FABRÍCIO SILVA

Quando tem campanha eleitoral cada um escuta o que lhe convém. E então, vota pensando nele e não no todo. Mais ou menos assim...

EMPRESÁRIOS
Isenção de tarifas, blábláblá, livre comércio, blábláblá, não intervenção, blábláblá, abertura, blábláblá, capital estrangeiro, blábláblá, capital interno...

MÉDICOS E FUNCIONÁRIOS DA ÁREA DE SAUDE
Valorização, blábláblá, hospitais, blábláblá, melhores salários, blábláblá, melhores condições, blábláblá, estrutura,blábláblá...

PROFESSORES
Maior salário, blábláblá, maior respeito,blábláblá, reforma educacional, blábláblá...

TRABALHADORES E DESEMPREGADOS
Gerar empregos, blábláblá, décimo terceiro, blábláblá, férias, blábláblá, salário melhor, blábláblá...

SEM TERRA
Reforma agrária, blábláblá, blábláblá, reforma agrária, blábláblá, blábláblá...

UNIVERSITÁRIOS
Bolsas, blábláblá, cotas,blábláblá, próuni, blábláblá...

E vai assim...

Depois, vai lá e faz...blábláblá na urna eletrônica. 

domingo, 19 de junho de 2011

Para Refletir


Decisão do Desembargador José Luiz Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo proferida em Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta.

O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.

Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por “advogado particular”. A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do Desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente, vejamos:

“É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro – ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.

Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai – por Deus ainda vivente e trabalhador – legada, olha-me agora. É uma plaina manual  feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem papel repetido. É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro – que NE existe mais – num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.

Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.

O seu pai, menino, desses marceneiros era, foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em sua casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.

Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nos aplainados entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em causa quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d´água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.

Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defende-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...

Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.

Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com área de definitiva, a antecipação da tutela recursal. É como marceneiro voto.

JOSÉ LUIZ PALMA BISSON – Relator Sorteado”  

Por Vitor Mazzi

quarta-feira, 15 de junho de 2011

EUDCAÇÃO, ÉTICA, MORAL E CIVILIDADE


"Eram os anos 70. Plena Ditadura Militar. Censura e violência. O país herdou um trauma profundo. Mas nossa educação atual não deveria olhar para o passado, superar as dores e renovar idéias. Mesmo as que nasceram ali?"

A capa do livro
Trago hoje imagens de documentos históricos da época da Ditadura Militar. E criei coragem para tocar num assunto delicado. Quantos de vocês chegaram a tomar conhecimento de uma matéria conhecida por Educação Moral e Cívica? E lhes pergunto, porque não existe uma reavaliação do conteúdo da mesma para que possa ser recolocada no currículo escolar?

Os escritos na primeira página.
Antes gostaria que prestassem atenção em alguns pontos interessantes do documento que lhes trago. Um livro que data de maio de 1970, que aparentemente foi usado por um aluno/a por meio de um empréstimo? O livro leva o carimbo do Tenente Braga em muitas de suas páginas. Esse tenente seria o proprietário do livro a época.O presidente era o General Emílio Garrastazu Médici.

O texto não é pequeno. E o assunto é espinhoso, mas acredito que de interesse geral, pais, alunos, professores, cidadãos. Leia com calma, eu lhes agradeço.

Uma coisa é o civismo. Que dada a nossa realidade, perdeu valor. Mas vamos do começo. No dicionário civismo é: Dedicação pelo interesse público ou pela causa da pátria.  Patriotismo.

Ou seja, é o Patriotismo em si. Saber cantar o hino nacional, o hino da bandeira, das armas nacionais, etc. E nesse aspecto está intrinsecamente ligado a todo um código de conduta militar do passado. Mas será que é só isso? Vejamos.

Ainda no que diz respeito ao civismo, o dado livro trazia, por exemplo, um capítulo sobre os Direitos do Homem, com informações como os direitos e garantias individuais, as leis orgânicas do Brasil, a constituição, o os códigos, civil, penal e comercial, a consolidação das leis do trabalho, além das leis de diretrizes e bases da educação nacional. Documento da época. E aí eu já levanto um questionamento. Conhecer as leis não seria algo importante, digamos, para turmas do ensino médio?

Fora isso a parte de civismo trazia informações políticas relevantes como a forma de governo do país e demais formas existentes e uma parte sobre os partidos políticos. E faço outra pergunta. Não seria interessante para os alunos do ensino fundamental e médio aprender sobre os partidos do país, a forma de governo etc.?

Você irá me dizer que estudos desse âmbito são facilmente direcionados, e influenciam o ser em formação, lhe incutindo uma determinada ideologia etc. Ora, a História, juntamente com a Filosofia e a Sociologia, também não o fazem? Não acabamos, nós professores, influenciando nossos alunos de acordo com a nossa maneira de ver o mundo? Pois então.

Vamos a dois pontos importantes. Primeiro, Ética. No dicionário significa: Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana.   Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão; É. social: parte prática da filosofia social, que indica as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros da sociedade.

Muita coisa precisa de séria revisão.
Portanto, Ética e Moral estão amalgamadas. Ou não? Vejamos o que se diz sobre Moral. Diz-se da Moral, “Relativo à moralidade, aos bons costumes. Que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes. Favorável aos bons costumes. Diz-se de tudo que é decente, educativo e instrutivo. sf  Parte da Filosofia que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os de sua classe.” 

 Pelo meu entendimento não se pode ter uma coisa sem a outra. Porque não trabalhar questões morais com os alunos em uma disciplina específica? Vejamos...

Existe em primeiro lugar um trauma profundo e em segundo um ranço com relação a tudo que se entende por herança do período militar no Brasil. Precisamos nos curar disso primeiro. É muito simplista a idéia de que se é do período militar, não é bom ou (e aí está o problema), se é algo que existiu nesse período é porque estão querendo usurpar nossa liberdade e querendo instituir novamente um governo ditatorial e repressivo. Besteira! Deixemos esse pensamento de lado.

Outra questão séria no Brasil é a dificuldade de um olhar honesto sobre as coisas. Buscar abandonar a forma maniqueísta de ver o mundo. Um exemplo simples está na política. Coisas como “se você é PSDB você é contra o PT, se você é contra o PT, você é PSDB.” Como diria o comediante Danilo Gentili “Ora, ambos me fodem roubam”. Aí quando alguém propõe uma releitura de alguns pontos sobre uma disciplina que (sim foi criada com o intuito de controlar os cidadãos) naquela época! Esses mesmos, de mente simples e pouco instruída (maioria no país, inclusive entre letrados) taxam quem faz tal proposta de “pessoa de direita, fascista, ultra-conservador”

 Não é porque algo foi feito por uma direita repressiva que não pode ser reavaliado, assim como o que é feito pela esquerda não pode simplesmente ser tachado de comunista/revolucionário. Acredito que os tempos são outros e não cabem mais idéias assim. Por isso falo em revisão de conteúdo sobre ética, moral e política, ao invés de apenas recolocar uma matéria antiga, na grade novamente.

Coisas que devem retornar.
Dado o estado em que se encontram as escolas, dado a perda de valor do professor por culpa entre outras coisas de uma (progressão continuada) que destruiu completamente qualquer sentido de respeito que pudesse existir entre alunos e professores, bem como demais funcionários do ambiente escolar, não vejo mal algum em reavaliarmos tal disciplina e recuperar o respeito. Aliás, vejamos: respeito é:  Ação ou efeito de respeitar ou respeitar-se.  Aspecto ou lado por onde se encara uma questão; consideração, modo de ver, motivo, razão.  Apreço, atenção, consideração.  Acatamento, deferência.  Obediência, submissão.  Referência, relação.  Medo, temor.  Direito, justiça, razão.
Interessante não? Veja quantos aspectos em uma mesma palavra.

Todos estão de acordo que quando dizemos “recuperar o respeito” NÃO estamos nos referindo a medo, temor ou submissão, por exemplo, mas obediência, acatamento, bem como apreço, atenção e consideração.

Mas, por ora, examinemos o que nos diz o currículo do Estado de São Paulo para a área de Ciências Humanas.

Quando se fala do currículo de História especificamente, encontramos informações que batem em pontos como cidadania, formação de cidadãos, sociedade pluralista e por aí vai. Alguns pontos interessantes para serem comentados aqui são:

“...durante o regime ditatorial, o consenso era obtido a força:isto pode;isto não pode – sempre de forma imperativa.”

Deixo claro que é o tipo de coisa que não queremos nem para o ensino nem para a sociedade. O currículo discorre sobre alguns pontos que constam nos PCN´s

 “...o primeiro objetivo geral do ensino fundamental é levar os alunos à compreensão da cidadania como participação social e política...despertar a consciência em relação ao exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais...no dia a dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio as injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito”

Ora, isso acontece? Existe respeito? As crianças e jovens estão cientes do que significa esse termo? Participação social e política e formação para a cidadania como? Se o Estado cada vez mais vai alijando os alunos de seus deveres e responsabilidades. Fala-se muito em direito e pouco em deveres. E um não vive sem o outro dentro de uma convivência pacífica numa sociedade pluralista. Continuemos...

“os estudantes devem desenvolver um posicionamento crítico...reconhecendo o diálogo...o conhecimento das características fundamentais do Brasil (sociais,materiais e culturais)...valorização da pluralidade...o respeito as diferenças...”

Primeiro, posicionamento crítico não existe por não existir educação de fato. Das características fundamentais, história, sociologia e filosofia já contribuem para isso, é fato, ou ao menos estão na grade com esse propósito e não vejo porque retira-las da grade. Valorização da pluralidade e principalmente respeito às diferenças são dois aspectos que acredito que uma matéria que ensine moral, ética e civilidade podem contribuir para isso. Afinal, lá se vão 41 anos da data que conta nesse livro e claro que o mundo se transformou durante esse período.

É uma nova realidade, onde novos pontos devem ser ensinados para que não criemos “filhotes de Bolsonáro” por aí. Pode parecer contraditório rever uma disciplina conservadora para não criarmos novos bichos da espécie citada, mas é fato que diante de uma nova realidade, onde se deve valorizar a tolerância, por exemplo, não é importante que os jovens aprendam que é preciso determinados valores para uma convivência pacífica?

Sei que o tema levantado aqui é complicado. Sei que dentro de décadas de história da Educação no Brasil existem erros recorrentes. Sei também que quanto mais eu acompanho o dia a dia das instituições educacionais do nosso país e os demais problemas por que passa nossa sociedade, tenho me questionado, não seria o caso de se colocar em prática uma matéria nos moldes do que foi a Educação Moral e Cívica, só que revisada e atualizada para a realidade atual? Será que se derrubada essa tal progressão continuada, e trazendo de volta determinados valores perdidos, não conseguimos uma melhora na situação?

Veja, se pegarmos, por exemplo, a família que é uma instituição que sofreu e vem sofrendo grandes modificações. A família de hoje é bem diferente da dos anos 70. Hoje, a mulher ganhou muito mais espaço dentro da sociedade, a separação já não é mais vista como um ato imoral por grande parte da população e o núcleo familiar passa a ser composto de Pai e filhos, mãe e filhos, casais homossexuais, etc. Então, claro que alguns princípios propagados pela Educação Moral e Cívica no passado, já não cabem mais, mas novos conceitos podem ser trabalhados dentro de uma matéria que trate de ética, moral e civilidade. Hoje temos as questões ecológicas, sustentabilidade, globalização, massificação das informações. Não dá para continuarmos fingindo que o país está crescendo da maneira ideal quando vemos a educação na situação em que se encontra.

Espero que tenham entendido os pontos que levantei aqui. E nem sei até onde eles podem ser considerados ou desconsiderados. Mas quem é professor nesse país atualmente, sabe que as coisas não vão bem.

Fabrício Silva.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Já nascemos velhos

Guilherme

É uma verdadeira contradição.

O nascimento deveria representar a renovação da vida, possibilidade para ser diferente ou no mínimo compreender as diferenças. Todos os seres vivos estão inseridos nesse ciclo – nascer, nutrir, reproduzir, morrer; portanto, estamos presos a esse ciclo por um bom tempo ainda, porque ainda não compreendemos o sentido desse ciclo.

Mas ao parar para refletir sobre a espécie humana e a educação, notei algo incômodo: ao nascer somos “presenteados” com “tudo” aquilo que nos precedeu, em todos os sentidos possíveis: língua, maneira de se vestir, de se comportar em um meio social, o que comer, como comer, padrões de beleza e comportamento, enfim, nos entregam um uniforme para viver em humanidade e diga-se de passagem que esse uniforme é tamanho único.

Neste momento vem o questionamento: se o nascimento prenuncia uma oportunidade para o novo como poderemos ter alguma coisa nova se “presenteamos” nossos filhos com um conjunto de caracteres já vencidos?

Evidente que para a espécie humana sobreviver pelo menos as funções básicas tem que ser transmitidas aos recém chegados. Mas minha reflexão está justamente naquilo que extrapola as funções básicas da sobrevivência.

Somos mestres em dizer o que os seres na condição infantil devem ou não fazer, mas somos ignorantes na hora de ouvir o que ela tem a nos dizer. Mesmo sem articular uma única palavra o infanto pode dar indícios do conjunto de caracteres que possui e que necessitam de direcionamento; somente o indivíduo comprometido com uma educação que liberta, e que não enche de “velharias”, poderá criar um campo propício para o desenvolvimento dessas crianças.

Desconsideramos toda e qualquer característica que não esteja dentro dos “padrões” aceitáveis pela sociedade, e não percebemos que por não darmos atenção naquele momento mais importante da educação que é a infância teremos mais a frente um adolescente que necessitará o dobro de atenção em sua educação, quando não o triplo, quádruplo.

Uma outra razão que me fez parar refletir um pouco sobre isso é a quantidade de reclamações que ouço sobre os alunos, sejam eles do ensino infantil, fundamental ou médio. E se ouço um elogio logo vem em seguida uma crítica pra não “acostumar mal” o indivíduo. Até quando ficaremos reclamando que as “crianças” não nos respeitam se não temos o menor respeito em ouvirmos o que elas estão “berrando” diante de nós? Até quando ficaremos dizendo que os adolescentes são um problema se não paramos um momento para ouvir quais são suas dores e angústias frente ao mundo de incertezas que é a transição da infância para adolescência?

Tenho um amigo que sempre diz que a fase infantil é a mais importante no desenvolvimento do ser que um dia irá transitar para a fase da adolescência, adulta e velhice, e como são fases um dia desaparecerão. E o que ficará depois de tantas fases? Fica ai uma reflexão.

Padrões não educam ninguém.

Vamos, porque estou incluído nisso, descobrir novos métodos eu respeitem a individualidade de cada ser. “Seu” filho antes de ser seu pertence a ele mesmo. “Seu” aluno não é sua posse nem propriedade, ele deve descobrir, com você auxiliando na construção de balizas coerentes a cada fase, um caminho para descobrir quem realmente é: ele mesmo!